sexta-feira, 10 de outubro de 2014

09/10/2014 10h28 - Atualizado em 09/10/2014 10h28

Justiça decide manter suspensas diárias acima de R$ 614 na Alap

Presidência da Casa havia requerido liminarmente suspensão da decisão.
Denúncia do MP diz que diárias iam de R$ 2.605,46 a R$ 4.409,24.

Do G1 AP
Retorno da Alap também marcou volta de deputados afastados por corrupção (Foto: Abinoan Santiago/G1)Deputados estaduais do Amapá
(Foto: Abinoan Santiago/G1)
A Justiça decidiu manter suspenso o pagamento de diárias da Assembleia Legislativa do Amapá com valores acima de R$ 614. A presidência da Casa havia requerido liminarmente a suspensão dadecisão deferida em agosto de 2014, em 1º grau, proposta pelo Ministério Público Estadual.
O desembargador Carmo Antônio de Souza, relator do pedido de liminar, negou o efeito suspensivo até que haja o julgamento definitivo do agravo. Em sua decisão, o magistrado ressaltou que os valores recebidos a título de diária pelos deputados estaduais "são manifestamente inadequados à finalidade legal, perdendo seu caráter indenizatório e vindo a possuir caráter tipicamente remuneratório, configurando assim enriquecimento indevido do agente político".
De acordo com o Tribunal de Justiça do Amapá, consta na denúncia do MP que são efetuados pagamentos de diárias aos deputados estaduais do Amapá nos valores de R$ 2.605,46 para viagens intermunicipais, de R$ 3.607,56 para viagens interestaduais e de R$ 4.409,24 para viagens para o exterior. "Enquanto que a diária máxima auferida por outros agentes políticos do estado do Amapá do mesmo nível dos deputados para viagens intermunicipais, interestaduais e exterior é de R$ 614", diz o judiciário.
No pedido de suspensão da decisão, a Assembleia Legislativa argumentou que o agravo "constitui ofensa à autonomia administrativa e financeira da agravada, ao poder de autotutela e ao princípio da separação de poderes". Acrescentou que a percepção de diárias pelos deputados  é regulamentada pela lei "que versa sobre o âmbito da Administração Pública Estadual", e por lei estadual que confere competência à Mesa Diretora para regulamentar o pagamento das diárias.
Afirmou que a "decisão agravada, ao suspender o citado Ato da Mesa Diretora e ao fixar o valor a ser pago pela agravada, atingiu direito de terceiro alheio à lide, bem como legislou sobre matéria afeta exclusivamente à Assembleia Legislativa do Estado do Amapá".
Para o relator, "o pagamento de diárias em valores exorbitantes contraria a finalidade específica de indenizar os valores gastos a título de hospedagem, alimentação e locomoção urbana, bem como a finalidade geral, razão pela qual cabe ao Poder Judicial desconstituir o ato administrativo sem interesse público e conveniência para a Administração, o qual visa, aparentemente, satisfazer tão somente interesses privados, por meio de desvio de finalidade e, consequentemente, abuso de poder".
A decisão de agosto atendeu a um pedido do Ministério Público Estadual, e teve como base uma ação movida contra o deputado Zezé Nunes (PV), que através de cheques e notas fiscais, recebeu cerca de R$ 200 mil em diárias no período de maio de 2011 a julho de 2012. A resposta na ação abre precedentes e atinge todos os parlamentares da Assembleia Legislativa do Amapá.
Um levantamento do MP mostrou que de maio de 2011 a junho de 2013 os parlamentares receberam R$ 9,6 milhões.
Entre os deputados que mais receberam neste período estão Júnior Favacho (PMDB) com R$ 625.621,14; Michel JK (PSDB) com R$ 582.310,03; Mira Rocha (PTB) com R$ 535.230,24; Kaká Barbosa (PT do B) com R$ 513.500,20 e Zezé Nunes (PV) com R$ 511.835,01, aponta o relatório do MP.
A reportagem entrou em contato com a Assembleia, que informou que somente vai se posicionar quando for notificada da decisão.
10/10/2014 06h00 - Atualizado em 10/10/2014 06h00

Aluna nota mil na redação do Enem ganha dinheiro dando dicas pela web

Marina Rubini, de 19 anos, dá 'aulões' on-line e vende pacotes de redação.
A estudante de medicina estima já ter faturado entre R$ 1 mil e R$ 5 mil.

Ana Carolina MorenoDo G1, em São Paulo
A estudante de medicina Marina Rubini, de 19 anos, tirou nota mil na redação do Enem duas vezes, e acabou virando professora virtual da disciplina (Foto: Arquivo pessoal/Marina Rocha Rubini)A estudante de medicina Marina Rubini, de 19 anos, tirou nota mil na redação do Enem duas vezes, e acabou virando professora virtual da disciplina (Foto: Arquivo pessoal/Marina Rocha Rubini)
Foi por acaso, e graças a uma promessa, que a estudante Marina Rocha Rubini, de 19 anos, acabou transformando um talento em fonte de renda. Depois de fazer as edições de 2011 e 2012 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), e de tirar nota mil nas provas de redação dos dois anos, ela começou, em janeiro deste ano, a dar aulas e vender pacotes de estudos pela internet. Até agora, Marina já escreveu mais de cem redações, angariou mais de 15 mil fãs no Facebook e estima ter faturado entre R$ 1 mil e R$ 5 mil neste ano com a nova profissão.
Depois do bom rendimento no Enem, a jovem, que cresceu em Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, hoje estuda medicina na Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), na Grande Florianópolis, onde também tem parentes. Ela terminou o ensino médio em 2011, mas decidiu fazer um ano de cursinho e prestar a prova de novo em 2012 para tentar entrar em alguma de suas primeiras opções de faculdade.
Eu falei: 'se eu conseguir mais uma nota mil, vou dedicar um pouco do meu tempo, do conhecimento, para ajudar outras pessoas a entrarem na faculdade'"
Marina Rubini,
estudante de medicina
Mas suas notas altas atraíram a atenção dos colegas, que queriam descobrir os truques da estudante para se dar bem na prova de redação. "Quando eu tirei mil no terceiro ano [do ensino médio, em 2011], meus amigos ficaram em cima de mim, dizendo: 'Marina, você tem que falar como faz, empresta seus textos pra gente dar uma olhada'. Percebi que as minhas dicas ajudavam e, quando eles liam meus textos, ficavam mais confiantes", explicou a aluna ao G1.
No ano seguinte, a pressão para tirar novamente a nota mil acabou deixando a jovem apreensiva, e então ela fez uma promessa a si mesma. "Eu falei: 'se eu conseguir mais uma nota mil, vou dedicar um pouco do meu tempo, do conhecimento, para ajudar outras pessoas a entrarem na faculdade'."
A promessa virou realidade no início do ano, quando ela criou um site com dicas em vídeo sobre como elaborar uma redação sobre alguns dos temas atuais que podem ser pedidos na edição deste ano do Enem, que acontece nos dias 8 e 9 de novembro.
Marina também realiza "aulões" ao vivo, em uma plataforma onde mais de 200 estudantes já chegaram a acompanhar a jovem explicar, em vídeo, áudio, slides e chat, conceitos de produção de textos dissertativos. Ela cuida de todo o trabalho sozinha, e contou com ajuda apenas para a instalação do site e da plataforma de ensino.
Prova de redação (Foto: Reprodução)Pacote vendido por Marina tem dez redações que
servem de modelo aos alunos (Foto: Reprodução)
Venda de pacotes de redação
Marina também escreveu mais de cem redações que inclui em pacotes vendidos a quem se interessar. O kit, que ela vende por R$ 29,90 (mas baixa o valor para R$ 19,90 para os estudantes que assistirem ao seu "aulão" ao vivo pela internet), contém dez redações produzidas por ela e corrigidas por professores de cursinho, que lhe atribuíram a nota mil nos critérios de correção do exame do Ministério da Educação.
"A meta de venda é de 500 pacotes esse mês, vamos ver se consigo atingir", diz a jovem sobre a reta final antes das provas do MEC. O objetivo dela, porém, não é o lucro, e Marina diz que ainda não tem renda suficiente para ser financeiramente independente dos pais. "Faço muita promoção, o intuito é ajudar, então já entreguei vários pacotes gratuitamente", explicou Marina, que também aceita, quando tem tempo, trabalhos como corretora de redação.
Com os pacotes, os estudantes conseguem ver como seria uma redação nota mil sobre temas que podem ou não cair nesse Enem. Marina diz que, se por acaso um deles seja de fato o tema pedido pelo MEC, ela se sentiria honrada em servir de inspiração para argumentos dos candidatos. "É uma forma de estudo, se gravarem algumas frases [incluídas no seu pacote de redação] e usarem iguais não tem problema."
A jovem diz que selecionou o tema pensando nas questões atuais do país e do mundo, mas não tem pretensão de acertar a pergunta da prova. "O intuito é ajudar a construir as ideias do texto. Se fosse pra acertar alguma coisa, preferia os números da Mega-Sena", brincou.
Educação médica
O sucesso das suas aulas de redação pela internet não fizeram com que Marina desistisse da ideia de ser médica. A estudante afirma que 99% do seu tempo ainda é dedicado à faculdade de medicina, onde ela está prestes a concluir o segundo ano.
Antes de se decidir pela medicina, porém, ela disse que ficou em dúvida antes do vestibular, já que também sempre se deu bem com matérias da área de humanas, como português, história e, claro, redação. "Sempre gostei de tudo, sempre gostei bastante de biologia, mas sempre gostei de humanas, e fiquei em dúvida." Filha de médicos, ela acabou decidindo seguir a carreira da família e não se arrependeu.
Porém, Marina ainda não decidiu que especialização vai seguir. Por enquanto, ela diz que uma de suas opções pode ser a ginecologia e obstetrícia. Mas, depois da empreitada como professora virtual, ela admite que não descarta um dia se dedicar ao ensino da medicina. "Não penso [em seguir carreira como professora de redação]. Fico bem feliz de poder agora ajudar, ainda mais no Brasil, que é um país tão carente em educação. E penso em ajudar em saúde, talvez na educação médica."
10/10/2014 06h01 - Atualizado em 10/10/2014 10h32

Indiano Kailash Satyarthi e Malala Yousafzay vencem Nobel da Paz

Kailash Satyarthi é ativista de direitos das crianças na Índia.
Aos 17, Malala é a mais jovem vencedora do Nobel da Paz.

Do G1, em São Paulo

O indiano Kailash Satyarthi e a paquistanesa Malala Yousafzay ganharam o Nobel da Paz de 2014 "pela sua luta contra a supressão das crianças e jovens e pelo direito de todos à educação", anunciou o comitê organizador do prêmio na manhã desta sexta-feira (10). Satyarthi, de 60 anos, é um ativista de direitos das crianças na Índia e a menina Malala sobreviveu a uma tentativa de assassinato dos talibãs em 2012 por sua militância a favor da educação das meninas em sua região natal do noroeste do Paquistão.
Com o prêmio, Malala, de 17 anos, se torna a mais jovem ganhadora do Nobel, superando o cientista australiano-britânico Lawrence Bragg, que compartilhou o Prêmio de Física com o pai, em 1915, aos 25 anos. Em sua conta no microblog Twitter, Malala disse: "Obrigada por todo apoio e amor".
Malala Yousafzai agradeceu o Prêmio Nobel pelo Twitter (Foto: Reprodução/Twitter)Malala Yousafzai agradeceu o Prêmio Nobel pelo
Twitter (Foto: Reprodução/Twitter)
Depois de receber tratamento médico intensivo, Malala se mudou para o Reino Unido. Em 2013, ela recebeu o prêmio Sakharov para a liberdade de consciência, concedido pelo Parlamento Europeu.
"As crianças precisam ir para a escola e não serem exploradas financeiramente. Nos países pobres do mundo, 60% da população atual tem menos de 25 anos. É prerrequisito para um desenvolvimento global pacífico que os direitos das crianças sejam respeitados", disse o presidente do Comitê Nobel norueguês, Thorbjoern Jagland.
'Tradição de Gandhi'
A paquistanesa Malala e o indiano Kailash Satyarthi, em fotos de 2014 e 1999, respectivamente (Foto: Reuters/AFP)A paquistanesa Malala e o indiano Kailash Satyarthi, em fotos de 2014 e 1999, respectivamente (Foto: Reuters/AFP)
"Kailash Satyarthi, mantendo a tradição de Gandhi, liderou várias formas de protestos e manifestações, todas pacíficas, focando na grave exploração das crianças para ganho financeiro. Ele também contribuiu para o desenvolvimento de importantes convenções internacionais sobre o direito da criança."
"Apesar de ser jovem, Malala Yousafzay já lutou por vários anos pelo direito das crianças pela educação, e mostrou pelo exemplo que crianças e jovens também podem contribuir para melhorar sua própria situação", disseram os membros do comitê, no anúncio do prêmio.
O primeiro-ministro do Paquistão, Nawaz Sharif, afirmou que Malala é o "orgulho do Paquistão".
Satyarthi afirmou que estava "encantado" com a notícia, segundo a agência Press Trust of India. "Agradeço ao comitê Nobel por este reconhecimento do sofrimento de milhões de crianças", disse o premiado.
Satyarthi abandonou a carreira de engenheiro eletricista em 1980 e passou a fazer campanha contra o trabalho infantil e a organizar numerosas formas de protesto pacífico e manifestações contra a exploração de crianças para ganho financeiro.
Kailash Satyarthi conversa com jornalistas em seu escritório em Nova Délhi, nesta sexta-feira (10), para comentar sobre seu Nobel da Paz (Foto: Bernat Armangue/AP)Kailash Satyarthi conversa com jornalistas em seu escritório em Nova Délhi, nesta sexta-feira (10), para comentar sobre seu Nobel da Paz (Foto: Bernat Armangue/AP)

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Kennedy e a deposição de Jango

  • O osso duro de roer não está no que os Estados Unidos fizeram em 1964, mas no que fizeram entre 1968 e 1976
Elio Gaspari
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No dia 7 de outubro de 1963, 46 dias antes de ser assassinado, John Kennedy presidiu uma longa reunião na Casa Branca e nela, em poucos segundos, fez a pergunta essencial a Lincoln Gordon, seu embaixador no Brasil: “Você vê a situação indo para onde deveria, acha aconselhável que façamos uma intervenção militar?” Gordon mostrou-lhe que esse era um cenário já discutido, porém improvável.
Um ano antes o presidente americano pusera no seu baralho a carta de um golpe militar para depor João Goulart. A associação de Kennedy ao golpe está amparada nos fatos, mas ao longo do tempo pareceu mais fácil jogar a responsabilidade em Lyndon Johnson, seu detestado sucessor. Desse truque participou até mesmo Jacqueline, sua adorável viúva.
Tudo ficaria mais fácil se Jango tivesse sido derrubado pelos americanos, mas ele foi deposto pelos brasileiros, numa sublevação militar estimulada e apoiada por civis. A Casa Branca, contudo, sagrou a insurreição reconhecendo o novo governo enquanto Jango ainda estava no Brasil, cuidando de suas fazendas, a caminho do Uruguai.
Passados cinquenta anos, numa época em que o aparelho de segurança americano grampeia comunicações pelo mundo afora e mata gente com seus drones, vale recordar outro momento da ditadura brasileira. Em 1971, o presidente Emílio Médici visitou Washington e foi festejado pelo presidente Richard Nixon com a frase “para onde for o Brasil, também irá o resto do continente latino-americano”. Discutiram a derrubada do presidente chileno Salvador Allende (ela ocorreria dois anos depois) e o general brasileiro ofereceu-se para ajudar no que fosse possível para derrubar Fidel Castro.
Em agosto de 1970, a embaixada americana em Brasília mentia para o Departamento de Estado informando que a tortura estava sendo substituída por métodos “mais humanitários” de interrogatório. Citava dois casos de mulheres presas em São Paulo. Pura patranha. Ambas haviam sido torturadas no DOI, onde o consulado americano mantivera um pesquisador-visitante. Ademais, endossara uma versão falsa da morte de um preso. (O cônsul no Rio, Clarence Boonstra, desmentia essa informação.) Num depoimento ao Senado americano, o chefe do programa de segurança pública do programa de ajuda ao Brasil disse que não sabia o que era o Codi e não lembrava o que fosse uma “Operação Bandeirante”. A fraternidade da diplomacia americana com o DOI rompeu-se com a chegada a São Paulo de um novo cônsul, Frederic Chapin, personagem injustamente esquecido na história do período.
A cumplicidade do governo americano com o regime brasileiro terminou em 1977, quando assumiu o presidente Jimmy Carter. (Um ano depois da demissão do general Ednardo D’Ávila Mello pelo presidente Ernesto Geisel, por causa da morte de um preso no DOI de São Paulo.) Empunhando a bandeira dos direitos humanos, Carter afastou-se das ditaduras latino-americanas. Com essa reviravolta, os Estados Unidos fizeram melhor que os franceses, que mandaram ao Brasil como adido militar o general que se intitularia “maestro” da tortura na Argélia, ou que os ingleses, que forneceram a tecnologia de celas especiais para o DOI do Rio. Nelas, som e silêncio, calor e frio, alternavam-se para desestruturar os presos.
Elio Gaspari é jornalista

terça-feira, 17 de setembro de 2013

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Eleições 2012

Programa Federal

Brasil sem Miséria deve incluir mais 600 mil famílias no ano que vem, diz ministra

O programa teve impacto de 13% na redução da desigualdade social. “O Brasil reduziu a pobreza em 57,8% em oito anos", afirmou a Ministra


Ana Cristina Campos- EBC em 17/09/2013

Agência Brasil

Agência Brasil
Tereza Campello/ ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome durante abertura do seminário sobre o Programa Brasil sem Miséria
Desde o início do Brasil sem Miséria, há dois anos, 22 milhões de pessoas saíram da extrema pobreza no país, disse a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, ao abrir ontem (16) seminário sobre o programa. A ministra lembrou que 910 mil famílias foram incluídas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) e no Bolsa Família nos últimos dois anos e meio.
A meta para o ano que vem é incluir mais 600 mil famílias, informou Tereza, em balanço sobre o programa, durante o 2º Seminário Nacional sobre Pactuação Federativa no Brasil sem Miséria.
Entre os dados apresentados no encontro, a ministra destacou que 13,8 milhões de famílias recebem o Bolsa Família, cujo orçamento alcança quase R$ 24 bilhões – o equivalente a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. “Os dados mostram que o Bolsa Família não só beneficia a população pobre, mas também a beneficia a economia do Brasil. ” Segundo ela, o programa tem sido a forma de a população pobre ter acesso à renda e a outros benefícios.
Tereza Campello também ressaltou que, pelo Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec-Brasil sem Miséria), foram feitas 700 mil matrículas em 503 tipos de cursos. No programa Microempreendedor Individual, dos quase 3 milhões de beneficiários, 642 mil estão inscritos no CadÚnico. No programa Água Para Todos, criado em 2011 para universalizar o acesso à água no Semiárido, foram construídas 370,7 mil cisternas, e meta é contemplar 750 mil famílias até o ano que vem. “A população pobre trabalha e quer se engajar no Brasil que trabalha e que cresce”, afirmou.
O ministro de Assuntos Estratégicos, Marcelo Neri, mostrou que, para cada real investido no Bolsa Família, há retorno de R$ 1,78 para a economia. “A cada real gasto no Bolsa Família, o PIB cresce R$ 1,78 e o consumo, R$ 2,4. O Bolsa Família tem efeitos multiplicadores maiores que outros programas sociais. O programa ajudou na crise, porque faz girar a economia”, disse Neri.
Segundo ele, o programa teve impacto de 13% na redução da desigualdade social. “O Brasil reduziu a pobreza em 57,8% em oito anos, sendo que 52% desse total devem-se à redução da desigualdade e 48% ao crescimento da economia.”
No Distrito Federal (DF), há mais de 241 mil famílias inscritas no CadÚnico e 91 mil recebem o Bolsa Família. Dessas, 34 mil têm um complemento na renda de R$ 70 e recebem, no total, R$ 140. A expectativa, segundo o governador do DF, Agnelo Queiroz, é reduzir a “maior desigualdade do país”.

domingo, 15 de setembro de 2013

Em VEJA desta semana

Bolsa Família completa 10 anos sem portas de saída

Programa comemora o décimo aniversário com um quarto dos brasileiros recebendo o auxílio. A ajuda é necessária, mas seria melhor uma solução para tirá-los do círculo vicioso da esmola

Fernanda Allegretti
ADEUS AO TRABALHO - Lucinete Nobre mora em Junco do Maranhão, o município com a maior proporção de habitantes assistidos pelo Bolsa Família. Ela deixou de trabalhar na roça e sustenta a família com os 216 reais que recebe por mês: “Tomara que continue assim pelo resto da vida"
ADEUS AO TRABALHO - Lucinete Nobre mora em Junco do Maranhão, o município com a maior proporção de habitantes assistidos pelo Bolsa Família. Ela deixou de trabalhar na roça e sustenta a família com os 216 reais que recebe por mês: “Tomara que continue assim pelo resto da vida"   (Caio Guatelli)
Na cidade maranhense de Junco do Maranhão, a maioria dos 3 790 habitantes passa o dia vendo televisão, cuidando dos afazeres domésticos ou batendo papo na porta de casa. São raros os que têm horário para cumprir no trabalho. Isso porque, em Junco, 90,5% da população vive com o dinheiro do Bolsa Família. É o município brasileiro com a maior proporção de cidadãos assistidos pelo programa federal. Lançado no primeiro mandato do presidente Lula, o Bolsa Família completa uma década no mês que vem. O objetivo anunciado era reduzir a pobreza e a desigualdade social com a transferência direta de dinheiro às famílias miseráveis. Dez anos depois, a pobreza de fato regrediu. Em 2003, o Brasil tinha 12% da população vivendo com menos de 2,8 reais por dia. Em 2011, o índice caiu para 4,2%. O Bolsa Família contribuiu para essa melhora, mas, obviamente, não foi o único responsável pelo bom resultado.
Impulsionado pelo consumo mundial de commodities como aço e ferro, o PIB do país experimentou um crescimento anual médio de 4,3% entre 2004 e 2011. O estímulo econômico fez ascender para a chamada nova classe média 35 milhões de brasileiros. O poder de compra do salário mínimo e o total de crianças matriculadas nas escolas aumentaram. Embora a pobreza venha diminuindo, a quantidade de dependentes do Bolsa Família cresce a cada recadastramento. Em uma década, o número saltou de 3,6 milhões de famílias para 13,8 milhões. Ao todo, são hoje subsidiados 50 milhões de brasileiros, um quarto da população do país. Nesse período, apenas 1,7 milhão de famílias deixaram de receber o auxílio. Os números superlativos fazem do Bolsa Família o maior programa de transferência de renda condicionada do mundo.
O Bolsa Família está presente em todos os 5 570 municípios brasileiros. Destes, 1 750 têm mais da metade da população vivendo parcial ou totalmente com o recurso federal. Ocorre que muitos beneficiários continuam sem perspectiva ou oportunidade de encontrar uma ocupação. É certo que, na vida em sociedade, a maioria produtiva deve auxiliar os incapazes, mas permitir que famílias inteiras sejam subsidiadas para sempre por um sistema que não estimula sua força de trabalho é favorecer a dependência.
Para ler a continuação dessa reportagem compre a edição desta semana de VEJA no IBA, no tablet ou nas bancas.
Outros destaques de VEJA desta semana

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Apresentaçao Pessoal


Que bom poder olhar agora para o passado e vê refletido no espelho de minha trajetória, os caminhos que me trouxeram aqui. Nasci no longinquou vilarejo “Baixão Verde do Livramento”, filho de José Miguel da Silva, natural de Pernambuco e Maria Soares da Silva, natural da cidade de Coroatá, Maranhão. Deste enlace nasci em um dia de festa, não um dia qualquer, mais o primeiro de janeiro, dia da Confraternização Mundial e que todos comemoramos como o primeiro dia do ano.
Tive uma infância dourada, não de muitos recursos, mais plena de liberdade, brincando com sabugos de milho, que a mente os elevava a condições de reis e rainhas, carrinhos feitos de talas de buriti, que a gente inventava, mesmo antes de conhecer um automóvel de verdade, tudo fruto da imaginação criativa, que se tem quando é criança, que brincava ao ar livre, com o pés no chão, sujos de lamas nos banhos de chuvas que formavam lagos e igarapés.
Lembro do meu primeiro professor, o Prof. Arão, um ser pacientante, de óculos de lentes grosas, por ter gastos as vistas, buscando conhecimento nas páginas de antigos livros grossos, já de páginas amareladas, de onde tirava ensinamento que utilizava para nos dar lição, nos conduzindo para o mundo das letras, que mais tarde vim me tornar, como escritor, amante da leitura e da escrita, tendo como ídolos, desde minha mais tenra infância, ilustres do mundo das Letras, o consagrado poeta português, Luís Vaz de Camões e o poeta maranhense, Gonçalves Dias, autor do poema Canção do Exílio, o primeiro que aprendi e recitava livremente, de cor e saltiado, como exigência das aulas de sabatinas, que quando se errava uma estrofe, recebia o troféu de uma duzia de bolos de uma velha palmatoria, delineadora dos nossos primeiros passos pela porta do saber que me conduziria a educação e formação que tenho hoje.
O tempo passou e nestas reminiscências, vejo que tudo valeu apena, os erros e acertos, foram apenas caminhos de aperfeiçoamento, para a pessoa melhor que vi me tornar, como cidadão melhor e consciente do meu papel para o meu bem e da própria humanidade.
Tive oportunidade de dedicar o meu primeiro livro, “Baixão Verde do Livramento - Infância Dourada”, aos cinquenta anos de vida conjugal dos meus pais, pra eles foi a Boda de Ouro mais valiosa, pela homenagem do filho escritor e os nomes cravados nos anais da história para lembrança das gerações futuras.
Minha mãe, hoje caminha sozinha, pela falecimento do meu pai em 2010, os cabelos embranqueceram, as vistas diminuíram pelo uso, mas insiste enxergar sem auxilio dos velhos óculos, que ela prefere deixar na “penteadeira” do quarto, do que usar no rosto, por compreender que lhe incomoda no seu dia a dia. As forças já não são mais as mesmas, mas continua o amor, a dedicação e o carinho por cada um dos filhos.
Morando distante, mas continuo presente em seus pensamentos e orações, sempre zelosa e velando pelo meu bem e minha felicidade. Hoje está em casa, convalescendo de uma internação de quinze dias, em decorrência de infecção intestinal, pela fragilidade do seu sistema digestivo, mais merecedora de todo meu amor, carinho e dedicação.
Hoje morando distante, tenho um coração cheio de saudades e procuro preencher minha mente com minhas atividades. Sou funcionário público, oriundo do concurso publico do Ex-IPESAP, tendo que esperar longos dez anos para definitivamente ser efetivado no quadro do Governo do Estado do Amapá.
Sou lotado na Secretaria de Educação -SEED, e já estive exercendo minha função no Centro de Educação Profissional do Amapá – CEPA, na Escola São José, no Complexo Penitenciário do Estado, o IAPEN, onde atuei como professor de língua francesa, sendo bem aceito pelos alunos, ficando até conhecido pelo carinhoso apelido de “Professor Bonjour”, devido todos terem também um apelido, que quando tive quer sair, foi um problema, prometeram fazer uma abaixo-assinado, prometendo um quebra-quebra, para que eu não saísse da Escola, sendo necessário muito jeito e negociação, para a minha saída, sem que nada de pior viesse acontecer.
Hoje estou aqui e tenho o respeito e amizade de todos os funcionários da Escola Gabriel Almeida Café, procurando desenvolver melhor cada dia meu trabalho, como, servidor e no meu ambiente de trabalho, o laboratório de informática da Escola, LIED, no acompanhamento dos alunos e na prática da minha docência, no ensino aprendizado.
Sinto a necessidade de estar sempre aprendendo, pois compreendo que o conhecimento deve ser compartilhado e nesta troca a gente crescer como ser humano e se capacitando cada vez mais para a melhora da própria vida, como a vida dos dos nossos semelhantes.